terça-feira, 11 de agosto de 2026

A concorrência que traz prejuízos para a educação

 Criado em 2007, por meio do Decreto nº 6.094/2007, o IDEB, é o Índice que mede a qualidade da educação brasileira, ele é medido a cada dois anos e são contados como referências:  a) o fluxo escolar, baseado na taxa de aprovação e evasão escolar; b) e o desempenho de aprendizagem, com base nas médias de notas das disciplinas de língua Portuguesa e Matemática. Não há dúvidas que é fundamental haver um processo de avaliação no contexto educacional, que serve inclusive para aplicação de políticas públicas, ou seja, se uma determinada cidade tiver um índice muito baixo no IDEB, carece de mais investimentos para melhorar a qualidade do ensino naquele município, contudo o que se instalou o Brasil foi uma verdadeira COMPETIÇÃO ENTRE REDES E ESCOLAS para ver que obtêm maior nota no IDEB e isso tem causado transtornos irreparáveis à educação que afeta não só os alunos, mas os docentes.

Na medida em que há uma com petição por resultados, é lógico que irão existir táticas para se chegar ao topo, é ai onde mora o perigo. Muitas escolas não querem ter seus nomes listados nas últimas posições do ranking do IDEB e com isso estipulam quantidades limitadas de alunos que devem ficar retidos. No fim de cada ano letivo as escolas reúnem-se para formar o conselho de classe, que é composto pelos docentes da unidade de ensino, neste conselho são tratados os casos dos alunos que não tiveram aproveitamento necessário para passarem de ano, ocorre que a autonomia do conselho, por conta dos dados do IDEB, fica limitada, pois é comum que a coordenação pedagógica da escola já tenha previamente em mãos, antes da realização do conselho, a quantidade de alunos que deve ser retidos e, praticamente, é imposto aos docentes que não ultrapassem aquele limite para que a escola não caia de posição no IDEB ou que fique atrás da escola “concorrente”.

O que se criou foi uma verdadeira concorrência entre escolas e redes de ensino e isso é prejudicial ao sistema educacional, pois premia-se alunos que passam o ano inteiro tendo notas baixas, faltando excessivamente, não entregando as atividades escolares, queixas essas comuns entre os docentes no Brasil.  Na medida em que um aluno, mesmo tendo excessivas faltas e notas baixíssimas por seu desinteresse na escola, passa de ano, após ser submetido a um conselho de classe, este aluno entende que mesmo diante de todo seu desinteresse, mau comportamento e falta de assiduidade ele completará facilmente todas as séries, sem que precise estudar, bastando estar matriculado.

Outro prejuízo que pode ocasionar por conta desta concorrência por melhores lugares no IDEB é o aumento da violência contra docentes no ambiente escolar, pois o aluno que mesmo tendo mau comportamento e baixo rendimento, passa de ano, zombará do professor no ano seguinte e repetirá as mesmas atitudes, pois está ciente que nem reprovado poderá ficar, já o professor, é obrigado a premiar o aluno que zomba da sua cara, passando –o de ano, pois não tem autonomia para decidir pela aprovação ou reprovação de um aluno, pois tal decisão lhe foi tirada pelo sistema de concorrência por melhores lugares no IDEB.

Referências

BRASIL. Casa Civil. Decreto 6.094 de 254 de abril de 2007. Disponível em:  https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6094.htm. Acesso em 05 Ago de 2026.


Postado inicialmente no site do Brasil Escola-UOL em 05 de agosto de 2026. 

Disponivel em: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/a-concorrencia-que-traz-prejuizos-para-a-educacao.htm

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Ser Professor: um sonho do passado, um tormento no presente, uma preocupação para o futuro.

 


Ser professor no Brasil por muito tempo era o sonho de milhares de jovens recém egressos do ensino médio, assim também eram as histórias contadas por muitas crianças que brincavam de ser médicos e professores. Mas o que tem motivado essa insatisfação ou desmotivação das nossas crianças e jovens por seguir a profissão que forma todas as outras profissões? Esse é foco deste artigo, que pretende analisar as principais causas desta desmotivação que, com certeza, afetará toda uma geração futura.

Tem sido corriqueiro, e até parece algo repetitivo, abrirmos nossas redes sociais, e encontraremos notícias de violência à educadores no ambiente escolar. A figura do professor, que outrora era respeitado em sala de aula, tornou-se um mero personagem, por vezes comparado a um objeto ignóbil, onde todos podem manusear, descartar ou utilizar a seu bel-prazer. A violência é a mesma, muda-se apenas de escola, de cidade, de estado, mas nos parece mesmo que o que não mudam são as ações de valorização e respeito ao professor, que vive sobressaltado, inseguro, atemorizado. Hoje o fato noticiado de agressão a professor foi no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, mas amanhã pode ser na minha sala de aula, contra a minha vida, afetando minha integridade física e o que fazer?  

É triste vermos uma professora, que dedica parte de sua vida para contribuir na educação de crianças e adolescentes em sua comunidade, ser agredida, enquanto outros alunos filmam e riem da situação; é triste vermos um aluno desferir socos na face de um professor por ele ter repreendido o adolescente pelo uso de um aparelho celular; é preocupante vermos alunos ingressando em escolas com armas de fogo escondidas nas mochilas, essa é a realidade que temos presenciado em nosso país.

Em um dos casos de violência, amplamente noticiados pela imprensa brasileira, está o caso ocorrido em 07 de maio de 2025, em uma escola da rede estadual em Belo Horizonte/M, quando um aluno agrediu uma professora, após ela ter dito a ele para esperar o horário do intervalo para ir ao banheiro. A agressão foi motivo de risos dos demais alunos que filmavam e se divertiam da situação, ao invés de repelir a agressão do colega de classe.

Diante desta triste situação ainda houve quem destilasse seu ódio em redes sociais pela decisão da professora que não permitiu, naquele momento, a ida do aluno ao banheiro. Para quem não atua dentro de uma sala de aula é fácil julgar uma professora por este ato, agora analisemos diversas situações que porventura possam ocorrer nestes casos. Imagine professores que atuam em uma sala de aula com 37 alunos, e durante o período de sua aula (50 minutos), a metade dos alunos desejar ir ao banheiro ou beber água, qual seria a postura do docente, permitir a ida de todos eles, sabendo que muitos alunos se utilizam destes artifícios, apenas para um passeio pelos corredores da escola, ou negar a ida deles ao banheiro e correr os riscos de ser agredido? Digamos que o professor sela flexível e permita a ida ao banheiro de vários alunos durante sua aula, esse profissional fatalmente será chamado a atenção pela coordenação/direção da escola, ou seja para o professor fica aquele ditado: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, a maioria das vezes o professor fica acuado e a culpa quase sempre recai sobre ele.   

De acordo com dados do ENADE (2021), apenas 19% dos alunos de licenciatura no Brasil tem interesse de trabalhar como professor, (https://observatoriodoconhecimento.org.br/19-dos-formandos-em-licenciaturas-nao-querem-trabalhar-como-professores) outro dado que mostra que essa situação já vinha causando preocupação, foi uma pesquisa da OCDE, de 2018, que apontava que apenas 2,4% dos alunos com 15 anos de idade manifestavam o interesse de ser professor, (https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-06/cai-percentual-de-estudantes-que-querem-ser-professores-diz-ocde) tudo isso é reflexo não apenas da violência no ambiente escolar, mas de inúmeras situações que sufocam os profissionais da educação, como falta de valorização, pouco ou nenhum reconhecimento, cobranças excessivas e a “pedagogia da culpa”, que faço questão de expressar-me sobre tal fato no parágrafo seguinte.

Que a educação precisa ter melhores índices, avanços e resultados satisfatórios, disso, tanto os professores quanto o sistema educacional são cônscios dessa realidade, contudo parece-nos que a grande parte dos problemas existentes no ambiente escolar são creditados na conta dos professores, porém os louros dos bons resultados, ficam ao sistema.  É mais fácil cobrar dos professores que não permitam a saída dos alunos durante as aulas, que inovem, que executem projetos em sala de aula, que entreguem todos os relatórios dentro dos prazos, mas não parece tão fácil para o sistema disponibilizar recursos tecnológicos para atuação dos profissionais da educação, construir mais salas de aulas nas escolas de modo a minimizar as superlotações, contratar mais profissionais de apoio aos alunos com deficiência, reconhecer o trabalho docente pelos resultados entregues, realizar formações continuadas, contratar mais professores de modo que o profissional atue em sua área de formação, construir bibliotecas, laboratórios, auditórios e áreas que favoreçam o trabalho inovador do professor.   

Diante de toda essa triste realidade, resta-nos, primeiramente lamentar e por último acreditar na execução de medidas que revertam tal situação, não apenas com vieses punitivos, mas preventivos para que amanhã não sejamos a próxima vítima dessa violência assustadora.

Referências

A pedagogia da Culpa: quando o sistema acusa seus professores, Disponível em: https://iclnoticias.com.br/a-pedagogia-da-culpa-quando-o-sistema-acusa-seus-professores/#:~:text=A%20pedagogia%20da%20culpa%3A%20quando%20o%20sistema%20acusa%20seus%20professores,Atribuir%20aos%20docentes&text=%E2%80%9CA%20cultura%20%C3%A9%20algo%20anterior,sentido%20e%20orienta%C3%A7%C3%A3o%20aos%20conhecimentos.%E2%80%9D Acesso em 08/05/2025

Porque as crianças não brincam mais de ser professor?: Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/cronicas/3623194 . Acesso em 08/05/2025

19% dos formandos em licenciatura não querem trabalhar como professores. Dsiponível em https://observatoriodoconhecimento.org.br/19-dos-formandos-em-licenciaturas-nao-querem-trabalhar-como-professores/. Acesso em 08/05/2025

Vídeo: Professora é agredida por aluno em escola da rede estadual, em BH Disponível em: https://www.otempo.com.br/cidades/2025/5/6/professora-e-agredida-por-aluno-em-escola-da-rede-estadual-em-bh-veja-video. Acesso em 08/05/2025.

Cai percentual de estudantes que querem ser professores, diz OCDE. Disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-06/cai-percentual-de-estudantes-que-querem-ser-professores-diz-ocde. Acesso em 08/05/2025.

MARCUS PERIKS BARBOSA KRAUSE

Mestre em Ciências da Educação(UPAP); Mestrando em Educação Inclsuiva (UEMA); Especialista em Educação Inclusiva(UEMA);  Especialista em Língua Portuguesa com ênfase em gramática(FLATED); Especialista em Gestão e governança em Ministério Público(ESMP), Pedagogo (FEMAF);  Licenciado em Letras(FAESF).


Artigo postado inicialmente no endereço eletrônico: https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/ser-professor-um-sonho-do-passado-um-tormento-no-presente-uma-preocupacao-para-o-futuro.htm. em 08 de maio de 2025. 


domingo, 27 de abril de 2025

Viva Pedreiras!

 *VIVA PEDREIRAS!*


Viva Pedreiras!

Por sua emancipação. 


Viva Pedreiras!

Por ser terra de tantos artistas, poetas e artesãos. 


Viva Pedreiras! 

Cidade próspera e hospitaleira. 


Viva Pedreiras! 

Nobre solo abençoado 

Beleza do meu Maranhão.


Viva Pedreiras! 

Por suas praças, ruas e avenidas. 


Viva Pedreiras!

Que de braços abertos recebe seus visitantes. 


Viva Pedreiras! 

Banhada pelas águas barrentas do Mearim


Viva Pedreiras ! 

Por sua cultura, arte e literatura.


Viva Pedreiras ! 

Por sua agricultura de subsistência que mantém o homem do campo. 


Viva Pedreiras 

Por seu povo trabalhador. 


Viva Pedreiras ! 

Hoje e sempre serás a Princesa do Mearim.


Autor: Marcus Krause

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Livro Pedreiras: Uma Rua, Um Poema Disponível para baixar gratuitamente

Como forma de difundir a literatura e fatos sobre nossa cidade de Pedreiras, que completa 105 anos estes mês de abril, estamos disponibilizando gratuitamente em PDF o livro PEDREIRAS: UMA RUA UM POEMA.  
O livro narra a história de várias ruas da cidade de Pedreiras, personagens que viveram nelas e fatos relevantes, tudo em forma de versos e rimas, uma forma mais didática e lúdica, principalmente para crianças e adolescentes. 

Sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas nas escolas:

Os alunos podem ser incentivados a produzirem versos de suas próprias ruas ou bairros; 
Atividades pará desenvolver a leitura; 
Elaboração de quiz sobre as ruas da cidade, com base nos versos constante nos livros;

Pedreiras, 105 anos de emancipação política

clique no link e baixe o seu;  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Mais um Artigo cientifico publicado em co-autoria

 

A escola inclusiva e o estudante com deficiência intelectual segundo a teoria Histórico-cultural


    O referido artigo foi publicado na Revista Caderno Pedagógico, v.22, n.01, p 01-22, ano 2025, pelos seguintes autores: 

  • Anaizy Moreira de Oliveira Bernardes
  • Iris Maria Ribeiro Rocha
  • Marcus Periks Barbosa Krause
  • Carolina Vasconcelos Pitanga
  • Poliana Andressa Costa Melonio
  • Doracy Gomes Pinto Lima
  • Sandra Regina Costa dos Santos
  • Ana Paula de Albuquerque Martins
  • O texto está disponível no seguinte link: artigo 

19ª participação em coletânea

   


 Já está disponível para venda no site da editora Perse a Coletânea Centenário do Dia das Crianças, que teve a participação do estcritor pedreirense Marcus Krause no link editora Perse  .

    Essa é a 19ª participação em co-autoria de antologias do escritor Krause. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Poema de Marcus Krause: A realidade das ruas

 Nas ruas tem criança chorando

Vivendo sem proteção

Nas ruas há pessoas mendigando

À procura de um pedaço de pão

 

Nas ruas a violência se espalha

Levando o medo à população

Nas ruas o crime assusta

Parece que não há solução

 

Nas ruas há o perigo das drogas

Do álcool e da prostituição

Nas ruas os jovens se perdem

E acabam sem direção

 

Nas ruas há o desespero

Dos que vivem sem moradia

Nas ruas o povo padece

Sofrendo noite e dia

 

Nas ruas o estado é falho

Não acolhe a quem mais precisa

Nas ruas a realidade é dura

Faltam políticas mais efetivas

A concorrência que traz prejuízos para a educação

  Criado em 2007, por meio do Decreto nº 6.094/2007, o IDEB, é o Índice que mede a qualidade da educação brasileira, ele é medido a cada doi...